CNH há 10 anos, medo há 10 anos...
- Sylvia Marocchio Martins Celestino Sylvia Terapeuta
- 28 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 5 de nov. de 2025

A maioria das pessoas comemora a aprovação na prova de direção e, em pouco tempo, está desbravando o trânsito com a sensação de liberdade. Mas, para Marcos, a carteira de habilitação por si só não foi suficiente para conquistar essa autonomia. Durante uma década, a CNH foi apenas um documento na gaveta, guardado junto com um medo irracional que o impedia de assumir o volante. A fobia parecia uma barreira intransponível.
O medo não era apenas sobre o trânsito, mas sobre o controle, a responsabilidade e, principalmente, a ansiedade que tomava conta de seu corpo e mente só de pensar em pegar o carro. Situações triviais, como manobrar na rua de casa ou estacionar em um mercado, tornavam-se obstáculos gigantescos que o levavam a depender de caronas, transporte público ou simplesmente desistir de planos e oportunidades.
A busca por uma solução e a descoberta da TRG
Marcos tentou diversas abordagens. Aulas com instrutores especializados para habilitados, sessões de autoajuda e até mesmo a exposição gradual ao volante, com o carro parado. Nada parecia funcionar. Os sintomas da ansiedade, como tremores, suor frio e taquicardia, sempre voltavam, reforçando a crença de que dirigir não era para ele.
Foi então que, ao saber da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG) por uma colega satisfeita com o método, resolveu buscar ajuda. Em vez de focar apenas nas ações ou no presente, a TRG se propõe a reprocessar e ressignificar traumas e medos enraizados em experiências passadas. A abordagem prometia acessar as memórias que geravam o bloqueio emocional para, então, neutralizar a carga negativa associada a elas.
O processo terapêutico e a virada de chave
Marcos iniciou a terapia sem muitas expectativas. Nas primeiras sessões, o terapeuta trabalhou para identificar as possíveis origens de sua fobia, que podiam estar relacionadas a situações de risco que ele presenciou, acidentes que ouviu ou até mesmo a comentários de familiares que, sem intenção, reforçaram seu medo. Utilizando técnicas para revisitar e reprocessar eventos do passado, e para liberar a tensão que seu corpo armazenava, a cada sessão, Marcos sentia que o peso de uma década de medo ia se dissipando. Ele começou a enxergar as situações de trânsito de forma mais racional, sem o pânico avassalador que antes o paralisava. Ele passou a entender que a origem de seu medo estava nas suas experiências e expectativas e não na sua incapacidade.
A conquista da liberdade
Após um ciclo de sessões, o momento da verdade chegou. Marcos pegou a chave do carro. Desta vez, não houve suor nas mãos nem batimento acelerado. A tranquilidade que ele sentia era algo novo e motivador. Começou com um trajeto curto, pelo bairro, e foi aumentando a dificuldade aos poucos.
Hoje, Marcos não apenas dirige, mas sente prazer em estar ao volante. O que antes era uma fonte de medo e insegurança, agora é um símbolo de sua liberdade e autonomia. A sua história é um lembrete poderoso de que o medo de dirigir tem tratamento e que, com a abordagem terapêutica certa, é possível, sim, reescrever a própria história, deixando o medo no retrovisor.

